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Artisan Tête-à-tête: Cristina de Middel e Bruno Morais


Cristina de Middel é uma fotógrafa espanhola de 46 anos, que mora e trabalhada entre o México e o Brasil. Em 2017 foi nomeada fotógrafa da Magnum a partir de seu trabalho que mescla a fotografia artística com a documental. A artista declara que “investiga a relação ambígua entre fotografia e verdade”. Após 10 anos trabalhando na área do fotojornalismo, De Middel resolveu expandir suas possibilidades por acreditar que sua área atual era muito limitante. Assim, produziu projetos como The Afronauts (2012), explorando a história de um programa espacial fracassado na Zâmbia, onde ela consegue desafiar a representação tradicional de um país africano e De Middel Gentleman's Club (desde 2015), trabalho que a fotógrafa recai seu olhar sobre o mundo da prostituição e mais especificamente os clientes masculinos.


Bruno Morais é um fotógrafo brasileiro, parceiro e marido de Cristina e acredita na fotografia como uma ferramenta pedagógica e agente de mudanças. Com a vontade de usar sua arte para além da prestação de serviço, se formou professor de fotografia pela Escola de fotógrafos Populares do Rio de Janeiro e é fundador do Coletivo Pandilla. Com o Coletivo, expôs seus trabalhos em diversos espaços como na galeria na FB Gallery em Nova York e no Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro. Seu trabalho pessoal fez parte do Paraty em Foco de 2015 e atualmente está trabalhando em projetos em conjunto com Cristina.

A seguir confira na íntegra uma entrevista exclusiva da dupla. Cristina e Bruno comentam sobre as riquezas e desafios de se trabalhar em conjunto, como aprenderam a somar suas visões e o processo “montanha russa” que passam para construir uma obra. Cristina tem sua veia artística, recebendo suas ideias de forma crua e preservando o estado de “não saber nada” antes de se aprofundar. Já Bruno, quando decide por um caminho, mergulha nos estudos e procura referências teóricas, literárias e cinematográficas. Apesar das diferentes formas de enfrentamento, a dupla encontrou a melhor forma de trabalhar e já criaram projetos fortíssimos como Excessocenus, no qual exploram as consequências de uma política exploratória descontrolada e abusiva no continente africano na rotina dos seus residentes. A dupla ainda oferece um spoiler de seu novo projeto durante a entrevista.


Os dois passam por temas como a modernização da cooperativa Magnum, os conceitos de verdade e arte na fotografia, o novo nicho fotográfico qual trabalham e procuram expandir, as relações de poder no mundo fotográfico e a cultura do cancelamento. Todos esses debates atuais e relevantes são abordados de forma leve pelos dois artistas e nossos entrevistadores: os editores Artisan Henry Milleo e Gui Christ. Confira!