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Construindo um livro de fotografias

Atualizado: Mar 26


Sair de uma folha em branco para a realização de um livro de fotografias demanda organização e divisão do trabalho em etapas.


A primeira delas é a edição, onde é feita a seleção do material. Um livro tem um limite físico e um limite criativo, digamos assim.


O físico é a quantidade de páginas que ele terá. O conjunto de cadernos da publicação que vai conter as imagens, os textos - se houver - e demais informações ou intervenções que se imagina no projeto. Já o limite criativo é mais sutil e serve para dar fluidez à narrativa para o livro não ficar monótono, cansativo ou perder o leitor.


Edição

Para os fotógrafos essa talvez seja a fase mais difícil de vencer. Isso porque é exatamente aqui que é preciso fazer os cortes necessários. Deixar de lado algumas imagens, por mais que elas tenham um apelo sentimental ou que possam parecer indispensáveis para o conjunto. Mas um livro não é feito de uma única imagem e, não raras vezes, uma foto que se acredita muito forte ou visualmente consistente acaba por enfraquecer o trabalho em vez de acrescentar algo. Algumas fotos são concebidas para serem single shot e um livro demanda de um conjunto consistente. Uma narrativa onde cada imagem mantenha o diálogo com o todo, seja pela invocação da sequência ou pela oposição à ela.


Sequenciamento

A segunda etapa é o sequenciamento. A ordem de entrada e saída de cada foto dentro do livro. É aqui que a narrativa começa a ser contada. E é aqui também que uma pergunta importante deve ser respondida: que tipo de história eu quero contar e como eu quero contar essa história?

A sequência é tão importante para o livro que é ela que vai definir como ele vai ser visualmente. Se ele vai ter um visual clássico, com uma foto por página, se vai ter quebras na narrativa visual para separar blocos da história, se vai ser um livro denso ou leve, de leitura rápida ou lenta, se a história segue uma linha cronológica ou se é como um filme do Tarantino, com o clímax já na abertura.


Paginação

A terceira etapa é a paginação, a distribuição de cada imagem em seu respectivo lugar. Boa parte desse processo é feito ao mesmo tempo que o sequenciamento, já imaginando as quebras na narrativa, se houver, e como elas vão acontecer dentro da publicação.

Uma história - e um fotolivro - não é sempre necessariamente linear. Uma imagem pode estar mais ao pé da página, para reforçar uma ideia visual de solidez, como pode estar em páginas duplas, para “saltar aos olhos” do leitor e fazer uma pausa mais dramática para apreciação, ou mesmo sozinha, tendo uma folha em branco ao seu lado para “limpar”o olhar para a sequência que segue.


Papel

Uma etapa que não segue a sequência, mas que permeia todo o processo de criação de um fotolivro é a escolha do material da impressão. Um papel mais poroso traz um tipo de sensação táctil e combina com um tipo de trabalho, enquanto um papel mais liso ou brilhante funciona melhor com outro tipo de projeto. Da mesma forma, uma gramatura maior traz um folhear mais pesado, faz um livro passar mais lento, diminui o ritmo da história a ser contada, enquanto uma gramatura menor casa melhor com trabalhos visuais mais frenéticos, aumentando o ritmo da história.

As dimensões também funcionam nesse mesmo sentido. Livros menores, fáceis de carregar e livros maiores, para se segurar com as duas mãos reforçam ou minimizam o peso da história que eles contém.


Capa

Está certo quem diz para não julgar um livro pela capa. Mas, nos livros de fotografia, essa é uma parte importante do processo, porque faz parte da narrativa visual da publicação. Um livro de fotografia, apesar de trazer nele uma história, não é como um romance ou um livro de poesias. É tão forte quanto, mas a forma de “escrita” é diferente.

Por isso a decisão sobre a capa deve ser muito bem pensada. Se terá uma foto que represente o todo, se trará apenas o título em um fundo monocromático, se será um conjunto de imagens ou um grafismo artístico, se fará parte mais profunda do conjunto, com uma foto que não está no miolo da publicação porque a própria capa é a abertura da história… A capa é o cartaz do filme, a faixa pendurada na rua e que atrai a atenção. Pode ser tanto um spoiler quanto um enigma. E, muitas vezes, ela surpreende pela simplicidade.


Mas o mais importante é saber que um livro é uma troca, um diálogo entre autor e leitor. O fotógrafo tem uma história para contar e o leitor precisa ter uma margem de liberdade para tirar a sua própria conclusão sobre a narrativa, porque uma história pertence ao mundo e, por mais que você não saiba, é exatamente por isso que você fotografa.


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