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Fotografando de cima de um barco, Gonçalo Pinheiro registra a vida no Tonle Sap

Confira o fotolivro Tonle Sap de Gonçalo Pinheiro aqui.


Gonçalo Lobo Pinheiro é um fotojornalista português, nascido em Lisboa em 1979 e radicado em Macau, China, há mais de 10 anos. A sua família mais próxima não tem tradição artística, então Gonçalo estreou no mundo da fotografia aos 18 anos. Após quatro anos estudando Engenharia Geológica na FCT-UNL, ele chegou à conclusão de que seus interesses estavam em outro lugar e se matriculou na licenciatura em Ciências da Comunicação, variante Jornalismo, na UAL.

Foto de Eduardo Martins

No ano 2000, começou a trabalhar no campo da fotografia e, dois anos depois, iniciou um estágio profissional na agora extinta agência de notícias Intermeios. Durante seis anos, o fotógrafo fez parte da equipe permanente do jornal A Bola. Depois, colaborou com várias publicações portuguesas e estrangeiras, incluindo I, Público, Correio da Manhã, O Comércio do Porto, Expresso, Washington Post, The Guardian, entre outras. Entre 2004 e 2010, Gonçalo foi o fotógrafo oficial da cantora brasileira Daniela Mercury em Portugal. Vencedor de vários prêmios durante sua carreira, o artista também teve várias exposições, em nome próprio e coletivamente. Quando chegou a Macau, juntou-se ao jornal Hoje Macau, onde trabalhou como redator e editor. Foi diretor de fotografia da Culture Guide e, atualmente, é o coordenador de fotografia da revista de Macau, versão em português. Atualmente é também fotojornalista no jornal Ponto Final.

“Macau 5.0” é o seu primeiro livro de fotografia. Em 2019, publicou o seu segundo livro “Myanmar, o retrato de um povo”. E este ano, publicou dois livros. “Desvelo”, em Macau e “Tonle Sap”, no Brasil.


Como o projeto Tonle Sap nasceu? Conte um pouco como você chegou até o

Camboja e porque decidiu produzir um projeto nesse lago.


O projeto Tonle Sap não nasceu como projeto, mas sim um conjunto de

fotografias de viagem que fiz (como sempre faço) quando vou descobrir outros

países. Estou vivendo atualmente, desde 2010, em Macau, o que torna mais fácil

para mim visitar estes países asiáticos ao redor. Foi o que aconteceu quando fui

até ao Camboja em 2015.



Qual foi sua maior dificuldade de produzir fotografias de cima de um barco? Nos fale dessa experiência.


Foi precisamente estar em pé no barco [risos]. Nem sempre foi fácil fotografar,

até porque muitas vezes utilizei velocidades baixas e qualquer movimento podia

ser a morte do artista, como se diz em Portugal. Acho que esse foi o grande

desafio. De resto, foi tudo muito fluido. Eu sabia perfeitamente que só tinha

aquela oportunidade e que durante a minha estadia no Camboja não voltaria

ali, por isso fiz tudo o quanto podia, sem pensar muito. Deixei as coisas fluírem.



Como foi o processo de fotografar um local tão distintos da sua terra natal? Como era a abordagem com as pessoas registradas?


Fotografar na Ásia, que é onde me desloco normalmente agora, é muito

diferente de fotografar em Portugal, principalmente pelo tipo de luzes e cores

que têm pela frente. A abordagem aqui é mais simples do quem Portugal, onde

as pessoas são mais carrancudas e arrogantes, eu acho. Na Ásia as pessoas, no

geral, gostam e não se importam de ser fotografadas. Muitas até fazem pose.


De onde veio a motivação de materializar o projeto? Ela era anterior ao

nascimento das imagens ou quando você viu as fotos prontas pensou no formato

do fotolivro?


O projeto nasceu mais tarde, quando tive a oportunidade de participar numa

coletiva em Londres e propus este trabalho, que foi aceito pela curadoria.

Depois disso, acabou indo para a gaveta, à espera de que um dia pudesse virar um

livro, algo que a Artisan Raw Books permitiu. Eu queria mesmo publicar

esta série num livro deste tipo, simples, barato, mas ao mesmo tempo bonito e

com bom gosto.



Que aprendizado você adquiriu no Tonle Sap que você gostaria que fosse

difundido com o seu livro?


Essencialmente eu trabalho em três vertentes da fotografia: fotojornalismo,

fotografia documental e fotografia de viagem. É nisso que aposto e é nisso que

tento me especializar, porque, na verdade, é o que na fotografia me dá mais

prazer: a realidade. Nada contra artistas, mas cada macaco no seu galho. Posto

isto, o que tentei fazer foi mesmo retratar fielmente o dia a dia daquela gente.

Mostrar ao mundo que não conhece aquela realidade, como é que ela é. E isso me dá muito prazer, confesso.


O que você diria para um fotógrafo que deseja se aventurar registrando uma

cultura muito diferente da sua?


Que vá de mente aberta. Não faça comparações de como é no seu país. Vá livre

para aprender, pois a nossa realidade não é absoluta. Respeite o outro. Depois,

temos de ser muito humildes e participar das comunidades onde estamos

inseridos, quer viajando, quer fotografando. Será mais fácil depois para fazer

um bom trabalho, ou simplesmente, para retratar aquela viagem que nos deu

tanto prazer fazer.

O fotolivro Tonle Sap está disponível em nossa loja. Confira aqui.