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Leo Wen, o criador do projeto que cataloga e produz conhecimento sobre livros de fotografia


Leo Wen é um fotógrafo, artista visual e pesquisador independente. É graduado pelo Centro Universitário Senac em fotografia e se especializou como Master of Arts in Photojournalism and Documentary Photography na London College of Communication e como Master Latinoamericano de Fotografía Contemporánea pelo Centro de la Imagem no Peru. Desde 2017 se dedica exclusivamente para o desenvolvimento do projeto Base de Dados de Livros de Fotografia (BDLF), um site de referências bibliográficas de acesso livre que abrange publicações fotográficas. O BDLF é estruturado em três segmentos - base de dados referencial, biblioteca digital e espaço de reflexão crítica - justamente para que seja possível ser não só uma base de dados, mas englobar também o conceito de biblioteca e espaço para estudo. Dessa forma, a plataforma se torna apta a atender aumento exponencial na produção de publicações fotográficas que estamos vivenciando.


De qual motivação e ou demanda surgiu a ideia de uma base de dados para algo específico como fotolivros?


Leonardo Wen: A ideia surgiu em 2017, a partir da constatação de que não existia uma plataforma online que inventariasse a produção editorial relacionada à fotografia e que abarcasse não apenas o catálogo das grandes editoras, mas também o segmento das editoras independentes e das edições de autor.

Desde o início houve uma preocupação em incluir neste levantamento a produção editoria dita “independente”, abarcando inclusive os títulos publicados em baixas tiragens, muitos deles sem ISBN, e até mesmo os exemplares únicos.



Qual foi o processo para a concretização do projeto?


LW: Para um projeto desta magnitude, criado por iniciativa individual e sem um respaldo institucional, foi essencial ter o apoio de editais públicos. Tivemos o privilégio de contar inicialmente com recursos do Fundo de Apoio à Cultura, do Distrito Federal, que nos permitiu desenvolver a plataforma por completo, além de fazer uma pesquisa focada em publicações relacionadas à Brasília (minha cidade natal), abarcado publicações lançadas desde os anos 1950 até os dias de hoje.

A segunda etapa foi financiada pelo Programa de Ação Cultural (ProAC), de São Paulo, que nos permitiu expandir a pesquisa para dois segmentos principais: a produção editorial dos anos 2010-2021 e para os livros de história, teoria e crítica da fotografia, lançados por pesquisadores(as) brasileiros(as) desde os anos 1940 até os dias de hoje. Atualmente, chegamos à marca de 2.000 publicações catalogadas.

A terceira etapa da pesquisa será iniciada nos próximos meses, dessa vez com o auxílio do edital Rumos, do Itaú Cultural. Vamos ampliar a pesquisa para os século XX e XXI, dentro de alguns recortes temáticos específicos.


Qual o caminho vocês percorrem, desde a pesquisa até a “oficialização” de uma obra na base de dados?


LW: Ao longo desses últimos dois anos, desenvolvemos um fluxo de trabalho que consiste basicamente em: (1) identificação de obras a serem catalogadas; (2) gestão do acesso as publicações (contato com editoras, autores e acervos); (3) catalogação e indexação; (4) reprodução fotográfica; (5) tratamento digital e, finalmente, (6) revisão e publicação das informações bibliográficas na plataforma.

De qualquer forma, este fluxo acaba sofrendo muitas variações, especialmente pelas dificuldades impostas pela pandemia, que praticamente inviabilizou a pesquisa presencial em bibliotecas públicas.



O projeto atingiu funcionalidades para o público além da pesquisa de títulos que vocês não esperavam?


LW: Desde o início tivemos a preocupação em fazer com que a plataforma também funcionasse como um espaço de reflexão crítica sobre fotografia, produção editorial, na sua relação com as artes visuais etc. Para isso, contamos a colaboração de pesquisadores(as) convidados(as), que nos fornecem conteúdos e perspectivas curatoriais sobre o conteúdo catalogado, mas sem a necessidade de se restringir necessariamente a ele.


Na verdade, a verdadeira importância desta enciclopédia virtual, indo mais além de seu aspecto documental mais imediato, está na sua capacidade de gerar conteúdos (na forma de artigos acadêmicos, resenhas críticas, entrevistas etc.) e contribuir para a meta de impulsionar qualitativamente a produção editorial nacional.



Existe algum plano para o futuro da base de dados para além da ampliação do acervo?


LW: Essencialmente, o projeto desta base de dados se resume à formação deste grande inventário online da produção editorial brasileira e a sua consolidação como plataforma de referência no cenário da fotografia nacional, algo que já começa a ser delineado, com menos de 1 ano no ar. Futuramente, vamos expandir a pesquisa para outros países latino-americanos e ibéricos.