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Processo de design de um fotolivro Artisan

O trabalho de design é essencial para a construção de um livro de fotografias. Por isso, nossa designer Thalita Machado sempre trabalha em conjunto com os editores e autores para que tenhamos um resultado coeso, bonito e que agrade o artista. São diversas etapas que são encarregadas ao designer no caminho de nascimento de uma obra, como pesquisa de referência, apresentação de alternativas etc. Hoje, trouxemos nossa designer Artisan para contar sobre os bastidores de seu processo.

Assim que começamos um novo fotolivro, o editor começa a me orientar mostrando as fotos, me conta sobre quem é o autor, sobre a história que as fotos estão contando e sobre o conceito por trás do sequenciamento das imagens. A partir daí, afinamos com o autor o quanto de ideias prévias ele já possui sobre seu projeto e que tipo de sugestões ele aceita. Começo então com a pesquisa de referências. Se o autor já tiver uma boa ideia de como ele quer a capa, por exemplo, essa pesquisa é em torno de fotolivros com o mesmo estilo visual do que ele pediu, não necessariamente do mesmo assunto. Se o autor nos dá mais liberdade, minha pesquisa segue mais para trabalhos editoriais sobre o tema.


No livro do Enrique Espinosa, Quem Me Ensinou a Nadar, ele deu uma referência bem clara de que queria o livro com uma foto centralizada na capa e o texto menor, então coletei referências desse estilo. Já no livro do Gonçalo Pinheiro, que ainda não lançamos, o autor tinha só uma ideia de qual imagem ele queria na capa, mas nada definido. Por consequência, fiz uma pesquisa em torno de palavras-chaves do tema e do texto que ele ofereceu sobre o livro: Tonle Sap (nome do rio onde as fotos foram feitas), trabalhos de designers do Camboja (país onde se encontra o rio), livros de fotografia sobre rios etc.


Continuando no exemplo do livro do Gonçalo, eu apresentei 3 alternativas para ele e consegui explicar a conceituação por trás de cada uma. No fim, ele escolheu uma capa que fugia da ideia inicial dele, uma capa sem foto, apenas com uma textura no formato do rio.


Apesar de eu fazer a capa, na maioria das vezes quem escolhe qual foto vai para a capa é o próprio autor ou os editores. Minha missão é fazer funcionar com a capa que chega até mim, mas tento oferecer uma alternativa com outra foto também. No livro da Silmara, que também ainda não foi lançado, ela estava decidida a usar uma foto de uma margarida na capa, mas acreditei que ela não apresentava todo o potencial do livro. Então mesmo assim ofereci a alternativa com a capa em preto e branco e com uma intervenção a mão. E acabou que ela adorou essa ideia!


Quando estou fazendo a capa, tem a parte de escolher a fonte que combine com o projeto. Eu decido qual tipografia passa a mensagem necessária e combina com a foto, sem parecer algo genérico e conseguindo passar a intenção visual da história contada pelas fotos e, claro, uma fonte que seja acessível. No livro do Caíque Costa Mar de Memórias, por exemplo, a melhor decisão foi não ser nenhuma fonte pronta, e sim a própria letra dele, tanto na capa quanto no interior do livro. Combinou bastante com as imagens e também com a mensagem do poema escrito no livro. Já no livro da Ana Ciffoni, Turistas em Foco, escolhi uma fonte que lembrasse cartazes vintage de turismo, que era uma referência que ela tinha gostado e combinava muito com o tema das fotografias e também cumpria o estilo de capa que ela queria.


O material também interfere na geração dessas alternativas. Se o projeto é no nosso padrão de formato e impressão, o design da capa fica limitado ao que é possível imprimir. Se o projeto pode ter uma impressão diferenciada, faz parte da minha pesquisa e geração de opções pesquisar formas mais interessantes de apresentar livro: em capa dura, capa de tecido, com intervenções a mão, com cartas individuais em cada livro (como no fotolivro Isete, que é uma obra privada), entre outras coisas.

Painel de Referências da obra Kindergarten

Painel de Referências de De-Verso

Esses são exemplos de painéis de referência. O primeiro é do livro Kindergarten: um dos processos mais longos e interessantes que tivemos na Artisan uma vez que não havia nenhuma referência visual dada pelo fotógrafo. A pesquisa foi feita com o tema levemente "macabro" de bonecas abandonadas e seu contraste com o nome que remetia a infância, além de referências visuais de um miolo que contasse com fotos de diferentes formatos e com a ideia de fundos coloridos e escuros. O segundo é do nosso último lançamento De-Verso, qual a capa e o miolo já estavam bem definidos pelo autor, que também é designer. Então, o foco precisava ser em como distribuir de uma maneira diferente de formatar os textos em conjunto das fotos no miolo. Por isso, procurei livros que tratassem de imagens turísticas e com páginas dedicadas apenas para o texto, de maneira a deixar todas as informações das fotografias mais atraentes - desde o texto de abertura até o sumário final. Nesse caso, procurei aplicar o conceito de alinhar os textos de acordo com a localização da imagem: as fotos tiradas em países do oriente tiveram seu textos alinhados à direita, enquanto as fotos de países ocidentais têm seus textos alinhados à esquerda.


Depois de definir as referências, eu faço cerca de 3 alternativas e apresento para nossos editores, explicando as ideias e o conceito por trás de cada uma. Faço os refinamentos que eles sugerem e daí tudo é levado para o artista. Gostamos sempre de mostrar, no máximo, 3 alternativas, para facilitar a decisão do fotógrafo. Dependendo do livro, o miolo também tem suas próprias alternativas. Se são apenas fotos, o miolo é resolvido mais na etapa de sequenciamento feito pelo editor. No máximo eu sugiro um novo posicionamento em fotos com formatos diferentes. Se o livro vai ter texto, diagramar ele no miolo também é meu trabalho. Depois de escolhida a capa, esse trabalho é bem mais fácil, pois mantenho a unidade visual com as fontes e cores da capa.


Essa é nossa linha base que seguimos para a construção de um fotolivro. Claro que o tempo que cada etapa requer varia muito com o projeto e com o autor uma vez que nós também sempre incluímos o artista em cada etapa e decisão. A vontade de materializar um projeto é uma meta que dividimos com os autores e fico feliz de possibilitá-la.

Todos os livros já lançados quais mencionei hoje podem ser encontrados em nossa loja. Confira clicando nos títulos a seguir: Quem Me Ensinou a Nadar, Mar de Memórias, Turistas em Foco, Kindergarten, De-Verso.