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Produzindo um fotozine

O fotógrafo e editor da Artisan Raw Books, Henry Milléo divide o processo de produção do seu fotozine Curitiba Centrão.


Começar um projeto fotográfico não é fácil. Partir do esboço inicial para o desenvolvimento, definir as etapas de produção, montar um cronograma para cada uma delas, ajustar a linha de trabalho e definir como isso tudo vai ser apresentado toma tempo, exige recursos e muito trabalho. E uma das primeiras coisas que você tem que pensar quando começa um projeto é como vai ser apresentado. Isso pode parecer um pouco prematuro quando o trabalho ainda está no começo, mas é de essencial importância para traçar os rumos que vai tomar enquanto estiver produzindo. Fotografar é apenas uma parte do todo.


Para fazer o Curitiba Centrão eu já tinha definido que ele seria publicado em um suporte físico. Eu gosto da publicação digital e em redes sociais, acho um canal válido para mostrar um trabalho fotográfico, mas o mesmo nível que elas têm de alcance também têm de efemeridade. O que está no topo do feed hoje desaparece em um ou dois dias.


Da mesma forma, a publicação não podia ser apenas um conjunto de fotos colocadas juntas em um caderno. Ela precisava incorporar elementos do centro da cidade, referências dessa região que funcionassem visualmente com a seleção do material fotográfico. O que faz uma publicação não é apenas o conteúdo, mas a forma como ele é apresentado.

Pensando nessa ideia de incorporar elementos do centro no projeto final do livro, eu busquei algumas soluções e, junto com a Artisan Raw Books, nós optamos pelo formato do fotozine artesanal. Uma publicação onde todas as etapas, desde a impressão até o acabamento final seriam feitas manualmente, exemplar por exemplar e com materiais que fizessem alusão ao centro da cidade.


A primeira coisa foi o papel. A decisão mais direta seria o jornal, mas esse é um tipo de papel que não valoriza a impressão das fotos e não funciona muito bem com impressoras jato de tinta. A escolha então passou para o papel pólen, de cor creme e com uma gramatura maior. Dessa forma conseguimos manter a ideia da textura do jornal. Para a capa foi usado um papel kraft, que lembra as embalagens utilizadas no comércio, com o título e crédito também em papel kraft, mas em uma gramatura menor, colados sobre a capa, mimetizando os cartazes colados em postes e paredes.


A encadernação foi feita com costura, usando um fio encerado, comum em sapatarias de conserto rápido espalhadas pelo centro da cidade, e o tamanho do zine foi pensado para caber no bolso. Na capa final da publicação também foi incluída uma foto, que não está no miolo da publicação, e que foi ampliada em um laboratório da região central da cidade.

Por fim, a embalagem do zine foi feita pensando em simular um pacote de figurinhas (dessas que se compram em bancas de revista) e que é preciso rasgar para abrir.


Todos esses elementos mais a edição, sequenciamento e distribuição das fotos nas páginas se completam criando uma apresentação que vai além da simples publicação das fotos, e isso é importante quando se pensa em produzir um projeto fotográfico.


O fotozine Curitiba Centrão teve edição de dois volumes, limitadas a 10 exemplares, numerados e assinados.



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